DOIS CORAÇÕES


Das duas metades fez um todo.
Dois sabores, dois géneros, duas familias, dois gostos num.
Não é assim que deve ser? Unir o que é separado, juntar bocas num beijo, olhares nas palavras, paladares num mesmo amor?
Das duas metades fez um manjar único e alimentou-se dele, sem lhe acabar o nutrido sumo, sempre mais, sempre mais cativado, sempre mais amado.

DESPEDIDA



Sorveu aos goles, aos toques de língua no amaríssimo liquido quente, as papilas encostadas ao céu da boca, a garganta aberta à descoberta do sabor acre que lhe escorría em fio para o interior.


Disse adeus e enxugou as lágrimas que bebeu.

TOCAR


Tocar na ponta da língua sabores sobre saberes, descobrir cores e aromas.
Alguns de ti. Alguns que ficarão para sempre a fazer parte de mim. Do meu gosto.